António Teixeira Carneiro Júnior nasceu em Amarante a 16 de Setembro de 1872. Entre 1884 e 1896 frequentou a Academia Portuense de Belas-Artes onde foi discípulo de Soares dos Reis, João António Correia e Marques de Oliveira. Em 1897 partiu para Paris subsidiado pelo Marquês da Praia e de Monforte e inscreveu-se na Academia Julien, onde teve como mestres Jean Paul Laurens e Benjamin Constant. Permaneceu em Paris até 1900, ano em que se realiza a Exposição Universal para a qual Carneiro é convidado a participar na decoração do pavilhão português.
O seu carácter místico e melancólico, carregado de interrogações existenciais, encontrou em Paris, num fim de século envolvido em grandes reflexões espirituais, o ambiente ideal para a problematização das suas questões. O contacto próximo com as tendências artísticas idealistas que se afirmavam em reacção ao positivismo científico e à estética realista, evidenciam-se na obra então realizada, marcada pela sensibilidade e linguagem próprias do Simbolismo: o tríptico A Vida, obra iniciada em Paris e apresentada pela primeira vez no Porto, em 1901, é um exemplo bem expressivo e constitui uma das raras manifestações da adesão da arte portuguesa à estética simbolista.
Ainda antes de regressar a Portugal o pintor viajou pela Europa. Instalado no Porto e no seu particular contexto social e cultural, António Carneiro enquadrou-se num grupo constituído por artistas, pensadores, poetas e políticos, associados em torno da revista “A Águia”, fundada em 1910 e, a partir de 1912, órgão do movimento literário e cultural da “Renascença Portuguesa”. Foi director artístico de A Águia desde a sua fundação até 1927, data em que a revista deixa de ser publicada.
A partir de 1918 foi professor na Escola de Belas-Artes no Porto e nomeado seu director em 1929, cargo que não chegou a exercer.
Ao longo da sua carreira, os géneros de pintura que mais constantemente praticou foram o Retrato e a Paisagem. Nos auto-retratos, nos retratos dos amigos e dos membros da família encontra-se a melhor expressão deste género que, a par da ilustração, foi também um meio de subsistência. Nas séries de paisagens criadas em sucessivas fases da vida manifestou as potencialidades mais inovadoras do seu génio artístico.